Vantagens e desvantagens da aplicação do Processo de Bolonha

Autor: Helder da Rocha Machado/segunda-feira, 5 de dezembro de 2011/Categorias: Notícias

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Vantagens e desvantagens da aplicação do Processo de Bolonha

"A actualidade do ensino superior universitário em Portugal" foi o título do Colóquio que se realizou no dia 30 de Novembro de 2011, no Auditório 3, numa iniciativa da Associação Académica da Universidade Lusíada de Lisboa (AAULL).

O primeiro orador a usar da palavra foi o Prof. Doutor Eduardo Augusto Alves Vera-Cruz Pinto, Director da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e docente da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada de Lisboa, que falou das "Razões da integração no regime de Bolonha, as diferenças com a sua entrada em vigor: vantagens e desvantagens". No entender deste responsável, o sistema de Bolonha preconiza a organização das aulas de forma diferente, em que os alunos assumem um papel mais activo relativamente ao processo ensino/aprendizagem. Ainda sobre o mesmo assunto, falou o Mestre Guilherme Valdemar Pereira d'Oliveira Martins, Presidente do Tribunal de Contas e docente da ULL, que abordou as razões que estiveram na génese do Processo de Bolonha, em particular a necessidade de dinamizar a mobilidade do cidadão europeu. No seu entender, trata-se de um processo "irreversível, susceptível de aperfeiçoamento".

Seguiram-se as palavras do Prof. Doutor Alberto M.S.C. Amaral, Presidente do Conselho de Administração da A3ES - Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, que defendeu uma perspectiva mais globalizante da mobilidade, isto é, ela não deve estar confinada apenas ao continente europeu, deve pois ultrapassar as suas fronteiras. Este responsável defendeu ainda, neste contexto, o princípio fundamental da empregabilidade e não o do emprego, pois "se a Europa quer competir e manter os salários acima da concorrência, tem de implementar o 1.º ciclo como ensino obrigatório".

Semelhante opinião foi apresentada pelo Prof. Doutor Nuno Miguel Simões Venes, docente da Faculdade de Ciências da Economia e da Empresa da ULL, que defende a necessidade de se impor o 1.º ciclo como ensino obrigatório, como já acontece no Norte da Europa. Bolonha trouxe um novo paradigma de ensino, mais centrado no estudante, embora os alunos, hoje em dia, cheguem mal preparados à Universidade, o que tem dificultado bastante a implementação desse novo sistema de ensino/aprendizagem.

A tarde foi dedicada ao tema "O ensino superior universitário visto pelas empresas: preparação dos alunos; principais desafios". O primeiro a usar da palavra foi o Dr. José Miguel Júdice, Advogado Sócio da PLMJ, que falou da necessidade das universidades darem uma formação mais prática aos alunos, virada para a vida real, com hábitos de trabalho e um investimento na oralidade. A mesma opinião foi partilhada pelo Dr. Manuel de Lemos, Presidente da União das Misericórdias Portuguesas.

O Dr. Francisco Mendes Palma, Director da Espírito Santo Research, falou na importância do empreendedorismo, visto que "[...] mais vale uma má decisão do que uma não decisão". Lembrou também que ninguém nasce ensinado, por isso, há que estudar, há que aprender, mesmo no local de trabalho.

O Arqt. Frederico Valsassina, do Atelier Frederico Valsassina Arquitectos, falou da óptima qualidade das faculdades portuguesas de Arquitectura, que ensinam hábitos de trabalho e de equipa aos futuros arquitectos. Referindo-se aos problemas económicos que os "ateliers" atravessam neste momento, defendeu a existência de uma maior ligação entre aqueles e as universidades, tendo em vista o mercado de trabalho.

O último painel foi dedicado ao tema "O ensino superior na Europa: a questão da aplicação de Bolonha". Nele participaram o Prof. Dr. João José de Pires Duarte Redondo, Vice-Chanceler das Universidades Lusíada, a Dr.ª Ana Filipa Janine, Ex-Presidente da European Democrat Students, e o deputado à Assembleia da República, Dr. Duarte Filipe Batista de Matos Marques.

O Prof. Dr. João José de Pires Duarte Redondo falou dos objectivos iniciais do Processo de Bolonha que acompanhou através do  relatório da Eurydice, publicado em 2010. Referiu ainda que, relativamente a este assunto, nem tudo correu bem na sua implementação, contudo é um Processo sem retorno.

Já a Dr.ª Ana Filipa Janine salientou que a introdução do Processo de Bolonha na Europa teve vários níveis de sucesso: nos países em que o ensino é de matriz essencialmente anglo-saxónica, ou no caso de alguns países de Leste, essa implementação foi um sucesso, o mesmo já não se pode dizer dos países da Europa Ocidental, como é o caso de Portugal, onde houve uma resistência do meio académico.

O Dr. Duarte Filipe Batista de Matos Marques defendeu que o Processo de Bolonha tem aspectos positivos e negativos. Em relação aos primeiros destacou a tutoria e o suplemento ao diploma. No tocante aos aspectos negativos, este orador realçou a elevada taxa de desemprego que ainda subsiste na nossa sociedade, levando muitos dos estudantes a apostar no prolongamento da sua formação através da frequência do 2.º ciclo de estudos.

O encerramento do evento ficou a cargo do Prof. Doutor Eng. Diamantino Freitas Gomes Durão, Reitor da Universidade Lusíada de Lisboa, e do Prof. Dr. António Martins da Cruz, Chanceler das Universidades Lusíada, que felicitaram os membros da Associação Académica pela organização do Colóquio e pela pertinência do tema.

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