David Guest apresenta modelo de implementação da GRH

Autor: Ana Rita Ribeiro/quarta-feira, 16 de maio de 2012/Categorias: Notícias

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David Guest apresenta modelo de implementação da GRH

No dia 10 de Maio de 2012, realizou-se, na Universidade Lusíada de Lisboa (ULL), o 11.º Seminário de Gestão de Recursos Humanos, uma iniciativa da responsabilidade do Núcleo de Alunos de Gestão de Recursos Humanos da Universidade Lusíada de Lisboa (NAGRHULL), em parceria com um grupo de alunos finalistas da licenciatura em Gestão de Recursos Humanos.

Com o mote "Um bom gestor inova!", o seminário começou com as boas-vindas do Magnífico Reitor da Universidade Lusíada de Lisboa, Prof. Doutor Eng. Diamantino Freitas Gomes Durão, a que se seguiram as palavras do Prof. Dr. Ricardo Leite Pinto, Vice-Chanceler das Universidades Lusíada, que relembrou a importância deste seminário na actual conjuntura económico-social, onde é necessário inovar para encontrar soluções que proporcionem novas oportunidades de crescimento das empresas e uma melhoria do bem-estar dos recursos humanos.

O primeiro painel, intitulado "Futuro, energia e talento", moderado pela Dr.ª Ana Rita Rodrigues Seirôco, contou com a presença de representantes da área dos recursos humanos de várias empresas portuguesas, como a Galp Energia, a EDP Energias de Portugal, a WS Energia S.A. e, ainda, a Fórmula Talento. O primeiro orador do dia, o Eng. Rui Mendes da Costa, é responsável pela Academia Galp Energia, departamento que procura maximizar o potencial humano e o crescimento da empresa, através da criação e gestão de integrados e inovadores cursos de formação de excelência. Só, assim, será possível construir uma política sustentável de desenvolvimento de competências de gestão, técnicas e comportamentais, dos quadros da Galp Energia e "fazer emergir novos líderes capazes de assumirem responsabilidades crescentes ao nível dos negócios e funções corporativas da empresa" (Academia Galp Energia).

Como representante da EDP Energias de Portugal, esteve presente a Dr.ª Maria João Martins, Directora de Recursos Humanos,  cuja intervenção se intitulava "As pessoas são a nossa melhor fonte de energia!". A determinada altura a empresa apercebeu-se que era necessário criar um  programa que melhorasse o bem-estar dos colaboradores, sabendo que este é uma peça fundamental da motivação laboral. A EDP criou um programa com o objectivo de aumentar o valor da marca, através de iniciativas e políticas de recursos humanos que facilitem o desenvolvimento de sentimentos de pertença, proporcionem perspectivas de carreira nacional e internacional e permitam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Referiu, também, as competências estratégicas, técnicas e de liderança que a EDP valoriza para além dos valores humanismo, inovação e sustentabilidade. A Dr.ª Maria João Martins teve ainda tempo de apresentar o projecto Talent City que se traduz numa iniciativa de atrair recursos humanos para a EDP através de uma política de aproximação junto das instituições do ensino superior. Desta forma, pretende assumir-se como uma referência de primeiro emprego para muitos jovens saídos da academia. Com o lema "porque pessoas felizes e que fazem pontes, fazem mais e melhor, durante mais tempo", a EDP preocupa-se em assegurar elevados níveis de motivação, evolução e desenvolvimento profissional.

Neste primeiro painel, houve também a oportunidade de ouvir o Dr. Daniel Martins, Director de Marketing da WS Energia S.A., mais uma empresa ligada ao ramo da energia, neste caso, à energia solar, que se pretende assumir como a "empresa número um" na criação do saber-fazer e da tecnologia de ponta no sector da energia solar.

A encerrar este painel, esteve a intervenção do Dr. Luís Marques, Director-Geral da Fórmula do Talento, que começou com uma breve descrição do seu  percurso de vida, dividida em quatro "vidas", onde percebeu que o que mais gostava de fazer era ajudar a desenvolver o talento das pessoas. Por essa razão, criou a empresa Fórmula do Talento, cuja missão é a de ser um parceiro de negócio na gestão de recursos humanos das pequenas e médias empresas portuguesas e dessa forma permitir contratar as pessoas certas, para os lugares certos, no momento certo, evitando más decisões de recrutamento.

O segundo painel, intitulado "Human Resource management and performance", contou com a presença de uma referência internacional na área da Gestão dos Recursos Humanos (GRH), o Prof. Doutor David E. Guest (na foto), da King's College London, keynote speaker desta iniciativa. Através de um estudo de caso, realizado no serviço nacional de saúde do Reino Unido, estudou a relação entre a GRH e o desempenho organizacional, partindo do pressuposto que uma boa GRH leva a um maior e melhor desempenho das organizações. Desde logo, se torna evidente a dificuldade que existe em medir o desempenho organizacional, pois é um indicador influenciável por factores internos e externos às organizações, como é o caso da actual crise económico-social. David Guest apresentou um modelo de compromisso de GRH, que se apoia em quatro conceitos - competência (recrutamento e selecção, formação e desenvolvimento), motivação (avaliação de desempenho, recompensa, prémios e feedback), oportunidade de participar (projecto de trabalho, sistemas de participação, comunicação) e empenho (promoção interna, segurança, tratamento justo) - e que contribui para a melhoria das atitudes e comportamentos dos empregados, aumentando o seu desempenho. No entanto, as práticas de GRH são difíceis de aplicar no terreno, devido a problemas particulares a cada organização: baixa adopção de práticas de recursos humanos, diferença entre as práticas previstas e as implementadas, pouca importância dada à gestão das pessoas, incertezas de como e quem deve implementar práticas de GRH, etc. De uma maneira geral, quem implementa as práticas de GRH são os gestores intermédios e não o chamado departamento de recursos humanos ou director de recursos humanos, o que muitas vezes se traduz numa aplicação incorrecta das políticas, pois esses gestores ou não querem ter esse papel, ou não têm formação adequada para o fazer ou, ainda, não contam com o apoio necessário por parte do departamento de recursos humanos, o que por sua vez vai influenciar o desempenho organizacional. Em conclusão, o orador fez questão de demonstrar que todos os estudos recentes apontam para as mesmas dúvidas: quem é responsável pela implementação da GRH - o departamento de recursos humanos, o gestor intermédio, o gestor de topo e qual o papel das comissões de trabalhadores e sindicatos? Perante esta realidade, David Guest e Anna Christina Bos-Nehles (2012), desenvolveram um modelo teórico de implementação da GRH que ajuda a perceber o melhor contexto de implementação, os papéis e as responsabilidades envolvidas e a necessidade de ter um bom departamento de recursos humanos. Este modelo atribui a responsabilidade da implementação aos gestores intermédios, pois são eles que estão em contacto com as pessoas, contando, no entanto, sempre com o apoio dos departamentos de recursos humanos. Desta forma, apresenta também as competências que os profissionais de recursos humanos devem ter neste cenário: bom relacionamento interpessoal, compreensão da gestão intermédia, personalidade forte, ter uma perspectiva estratégica, para além de ser bom conhecedor da prática de GRH, bom conselheiro e, não menos importante, ser visto pela organização como um elemento prestativo que goste de ajudar as pessoas. Para concluir a sua apresentação, David Guest enunciou os desafios da implementação da GRH:

  1. evidências que provam a existência de uma ligação entre a GRH e o desempenho organizacional;
  2. é necessário dar mais importância à implementação da GRH;
  3. aceitar e desenvolver o envolvimento dos gestores intermédios no processo de implementação;
  4. dar particular atenção como é que os empregados reagem à GRH;
  5. reconhecer o papel central de uma liderança de suporte;
  6. trabalhar com modelos testados de  implementação;
  7. agir com atitude, como gestores de recursos humanos.

A  parte da tarde começou com uma Maratona de Workshops da APG - Associação Portuguesa dos Gestores e Técnicos dos Recursos Humanos vocacionados às seguintes áreas: "Inovação em processos organizacionais", a cargo da Blink Consulting;  "Ginástica laboral", da responsabilidade da Healthy Generation; e "Coaching: ferramenta para sucesso dos Recursos Humanos", coordenado pela Mestre Maggie João do Grupo Português de Coaching.

O seminárion terminou com o terceiro painel - "Conquistar o mundo!" - que contou com a presença do Prof. Doutor Mário Alexandre Guerreiro Antão, em representação do Grupo Oásis, grupo económico português que se dedica ao sector do turismo e do imobiliário turístico. Num painel dedicado à GRH, em contexto internacional, o Prof. Doutor Mário Antão dedidou a sua apresentação à estratégia de recursos humanos desta empresa que privilegia a utilização de recursos humanos locais, desenvolve planos de formação abrangentes e atentos à multiculturalidade, valoriza o desempenho e promove o desenvolvimento de carreiras internacionais. Acabou a intervenção chamando à atenção das particularidades que uma GRH, em ambiente internacional, tem de ter em conta: a globalização do mercado de trabalho, a flexibilidade e a mudança, a promoção do respeito pela diferença e a utilização dessa diferença para os objectivos da organização, entre outras.

A última comunicação ficou a cargo do Dr. João Vasco Coelho, Director de Recursos Humanos da Critical Software, empresa dedicada à gestão de sistemas informáticos críticos, por exemplo, na área da engenharia aeroespacial. Esta empresa está presente nos cinco continentes e pretende trabalhar numa base de 24x7. Com este extensivo horário de trabalho, exige uma política de GRH adaptada a diferentes realidades e culturas e que, acima de tudo, pretende manter vivo um espírito de comunidade entre todas as nações onde está representada. O Dr. João Vasco Coelho terminou relembrando as questões críticas que a internacionalização das empresas representam para GRH: diferentes custos de vida entre os vários países, problemas de segurança nacional e políticas de recrutamento de pessoas certas, tendo em conta que uma carreira internacional pode ser um ponto de destino ou apenas um ponto de paragem.

O Seminário terminou com um momento musical, a cargo da Luz&Tuna - Tuna masculina da ULL que brindou a assistência com três canções do seu vasto repertório.

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