União Africana e NATO

Autor: Ana Rita Ribeiro/quinta-feira, 14 de março de 2013/Categorias: Notícias

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União Africana e NATO

Teve lugar, no dia 7 de Março de 2013, na Universidade Lusíada de Lisboa, o seminário internacional sobre as relações entre a União Africana e a NATO, no âmbito do lançamento do livro intitulado "AU-NATO collaboration: implications and prospects".

Na sequência da realização do simpósio internacional "African-Union-NATO relations: implications and prospects", a 1 de Março de 2012, em Addis Ababa, capital da União Africana (UA), que contou com a presença de mais de 200 participantes, julgou-se útil promover um encontro para marcar o lançamento do já referido livro, resultado das principais ideias que surgiram nesse evento, nomeadamente, a promoção das relações entre estas duas organizações, os seus interesses comuns e a cooperação na manutenção da paz e segurança.

Os trabalhos tiveram início com a intervenção do General Carlos Branco, da NATO, sobre a importância do conceito de "segurança cooperativa" nas actuais relações internacionais de defesa e segurança. A "segurança cooperativa" traduz-se, essencialmente, na manutenção de boas relações com Estados e outras organizações com quem a NATO tenha interesses comuns e com quem possa colaborar em questões de segurança, quadro em que se insere a UA.

Em representação do NATO Defense College, o Dr. Brooke Smith-Windsor apresentou o ponto de vista da NATO nesta relação bilateral, a sua importância para a manutenção da paz internacional, o papel da Organização como gestora de crises (missões no Sudão e na Somália), a dinâmica das relações UA-NATO e os desafios e tendências para o futuro.

O papel da diplomacia portuguesa neste diálogo entre África e o Atlântico Norte foi abordado pelo Dr. José Francisco Lynce Zagalo Pavia, que salientou a importância estratégica do nosso país, por pertencer à NATO, à União Europeia e à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Estas três instâncias reflectem as duas dimensões da política externa portuguesa: a africana e a transatlântica.

Em representação do continente africano, esteve presente o Dr. M'bala Alfredo Fernandes, da Embaixada da Guiné-Bissau em Lisboa que partilhou alguns dos entraves actuais existentes na relação UA-NATO, nomeadamente a controvérsia relativa à intervenção na Líbia e o facto de muitos políticos africanos desconfiarem, ainda hoje, da intervenção do mundo ocidental, por esta poder estar associada a ideias neocolonialistas. Por fim, salientou a importância que uma intervenção da NATO, no seu país, teria para a resolução dos problemas de segurança e económicos, através da prevenção e da formação de militares e paramilitares por parte da NATO.

A última comunicação ficou a cargo do Dr. Rui Carmo, em representação do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, que voltou a referir a importância do conceito de "segurança cooperativa". Salientou, ainda, a necessidade de manter activa a relação UA-NATO, como mecanismo que permita responder eficazmente a problemas que possam pôr em causa a estabilidade e a segurança no continente africano.

Este encontro internacional terminou com um conjunto de perguntas lançadas à mesa, pela assistência, das quais se destacam as questões com os cortes nos orçamentos de defesa por parte dos países ocidentais, devido à crise económica actual, a questão da formação de novos exércitos de alguns países africanos, a questão do neocolonialismo, e, por fim, a questão relacionada com uma possível intervenção da NATO na Guiné Bissau.

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