Entrevista à Professora Teresa Leite: "O curso [mestrado em Musicoterapia] é uma jornada incrível".

Autor: Rita Neto Marques/terça-feira, 2 de junho de 2020/Categorias: Entrevistas, Notícias, IPCE

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A Newsletter da Universidade Lusíada entrevistou a Prof.ª Doutora Teresa Leite, psicóloga clínica, musicoterapeuta, terapeuta familiar e de casal em formação, supervisora em instituições de acolhimento residencial para a infância e juventude, coordenadora e docente do mestrado em Musicoterapia da Universidade Lusíada, o único nesta área em Portugal, que nos apresentou, de forma aprofundada, o universo da Musicoterapia.

Entre os seus diversos papéis profissionais, a Professora Teresa Leite identifica-se como musicoterapeuta, psicóloga clínica e docente universitária: "[…] a minha profissão é ser psicóloga e musicoterapeuta, e a docência é, no fundo, a minha missão para o campo onde eu exerço, o meu contributo para a formação de psicólogos e de musicoterapeutas, e fazer estas áreas crescerem e ficarem mais fortes em Portugal".

Licenciada em Psicologia Clínica, Mestre em Musicoterapia e Doutora em Psicologia Clínica e Terapias de Grupo, estudou música ao longo da escola secundária e da faculdade, tendo sempre como certeza a Psicologia e a área clínica, que aliou ao seu forte interesse pela "[…] experiência das pessoas ligada à música […]" e à sua "[…] curiosidade um bocadinho difusa sobre a experiência humana ligada às artes […]".

Enquanto investigadora do Centro Lusíada de Investigação em Serviço Social e Intervenção Social (CLISSIS), tem interesse pela Musicoterapia, pelas intervenções terapêuticas, pelas populações em risco, pelo desenvolvimento pessoal e pelo bem-estar, encontrando-se, presentemente, a desenvolver um "[…] projecto de investigação-acção que está a avaliar a intervenção musicoterapêutica em grupo com jovens institucionalizados, com jovens em risco" ("Intervenção em Musicoterapia na promoção da qualidade de vida de crianças e jovens em risco psicossocial").

O mestrado em Musicoterapia da Universidade Lusíada celebra 10 anos este ano lectivo. "É, de facto, um curso único em Portugal por várias razões. Primeiro, porque é o único curso neste momento existente de formação alargada em Musicoterapia, que […] tenta, nos dois anos que tem, habilitar um profissional a exercer musicoterapia. Depois, é único, porque é um mestrado mais profissionalizante; não é um mestrado só de investigação e de estudo académico, também é um mestrado que integra, um pouco à imagem do curso que eu fiz nos Estados Unidos, […] uma vertente muito experiencial e, portanto, tanto a Confederação Europeia [Confederação Europeia de Musicoterapia], como a Associação Americana [Associação Americana de Musicoterapia], como a Portuguesa [Associação Portuguesa de Musicoterapia] recomendam que um curso de Musicoterapia ofereça um plano de formação que combine a componente académica, a componente musical, a componente clínica […], de intervenção terapêutica, e a componente pessoal, de desenvolvimento pessoal."

A Musicoterapia recorre à música para o desenvolvimento de uma relação terapêutica, partindo de um plano inicial, que irá ser adequado às necessidades do indivíduo e respectiva patologia, afigurando-se como terapia complementar na recuperação do doente. De acordo com a Professora Teresa Leite, "[…] temos de conhecer a pessoa do ponto de vista pessoal, da sua identidade como ser humano, musical, da sua identidade como ser musical, e também da sua patologia, quais são os problemas que aquela pessoa apresenta". Assim, existe uma primeira fase de recolha de dados junto da pessoa, da família e de outros técnicos, à qual se alia o conhecimento técnico do musicoterapeuta e as técnicas de musicoterapia.




Na intervenção musicoterapêutica, é possível recorrer a todos os géneros musicais. Perante um universo tão vasto, a descoberta do potencial da música "[…] é uma solução de compromisso entre a música que nós conhecemos, o repertório e a técnica instrumental que nós já temos […]", sendo necessário "[…] dominar, pelo menos, um instrumento harmónico, para que consiga dar apoio. Numa sessão de musicoterapia, o paciente é como se fosse o nosso solista especial e nós somos assistentes: assistentes de desenvolvimento, e assistentes de desbloquear patologia e assistentes de minimizar problemas. […] qual é a música que é terapêutica para uma determinada pessoa? É aquela que combina o universo musical da pessoa com aquilo que eu sei que possa ser terapêutico para ela" e são diversas as patologias que poderão beneficiar desta terapêutica.

Aos futuros estudantes do mestrado em Musicoterapia da Universidade Lusíada, a Professora Teresa Leite deixa uma mensagem: "[…] se eles estão motivados para esta área, que venham. O curso é uma jornada incrível. […] E nós cá estaremos para, no fundo, receber alunos que vêm de caminhos muito diferentes, com perfis pessoais muito diferentes, e dar-lhes aquele denominador comum, que é o conhecimento e a técnica básica da musicoterapia, para, depois, eles próprios crescerem na direcção em que tiverem de crescer como musicoterapeutas."

A nossa entrevistada deu-nos, ainda, a conhecer uma playlist composta por temas musicais com ligação à sua formação musical clássica e à sua adolescência, bem como outros dos quais gosta particularmente e que estão disponíveis no Spotify da Universidade Lusíada.


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